• pt
Vitória Diogo Ministra do Trabalho Emprego e Segurança Social
28 anos da Segurança Social Obrigatória: Vitória Diogo defende que estão criadas as condições para o melhoramento dos benefícios concedidos
18/09/2017
David Seie Director Executivo do Instituto de Directores de Moçambique
Ausência de valores éticos pode levar à falência das empresas
22/09/2017

Doutor Honoris Causa Carlos Lopes: Moçambique precisa conhecer melhor as políticas económicas mundiais para aumentar capacidade de negociação

Carlos Lopes doutor Honoris Causa em Estudos de Desenvolvimento

O antigo Secretário-Geral Adjunto da Organização das Nações Unidas (ONU), Carlos Lopes, defendeu, em Maputo, que há novos caminhos que se abrem para as economias mundiais, incluindo a moçambicana.

Carlos Lopes falava, recentemente, na primeira aula que proferiu após lhe ter sido atribuído o título honorífico de Doutor Honoris Causa, na área de Estudos de Desenvolvimento, pela Universidade Politécnica.

De acordo com Carlos Lopes, o mundo vive, actualmente, um momento em que as certezas e as ideologias sobre questões económicas se estão a desvanecer. Por esta razão, explicou que “existe no mundo mais espaço de manobra, é preciso aproveitá-lo com muita sabedoria, sofisticação, estudo e, acima de tudo, com muita estratégia”.

Neste contexto, para os países de economia emergente tirarem melhor proveito dos novos caminhos que se abrem e dos referidos espaços de manobra, Carlos Lopes defendeu a importância do conhecimento sobre as políticas económicas mundiais, para aumentar a capacidade de negociação.

“Países como Moçambique precisam de negociar melhor, conhecer melhor os parâmetros que influenciam as políticas mundiais, bem como saber que as instituições financeiras internacionais estão a fazer coisas diferentes em outros países”, considerou.
“Portanto, conhecer o que se está a passar à volta de si, permite negociar melhor e obter melhores resultados, e é um pouco disso que vim defender nesta primeira aula”, referenciou.

Num outro desenvolvimento, Carlos Lopes analisou a situação económica de Moçambique, sobre a qual avançou que o nosso País está a atravessar dificuldades de nível macro-económico precisando, portanto, de alterações a nível estrutural.

“A verdadeira alteração das políticas económicas tem que se operar a nível estrutural. Ou seja, mesmo quando há crescimento e mesmo quando a dívida desaparece, não se pode ter um crescimento baseado apenas em investimentos externos na indústria extractiva”.
Sobre a atribuição do título honorífico, Carlos Lopes não escondeu a sua emoção, assumindo que a ocasião é nobre, formal, ritualística, mas também cheia de conteúdo.

“Na qualidade de homenageado, só tenho a agradecer a todos aqueles que apadrinharam esta oportunidade e este reconhecimento. Estou muito grato à Universidade Politécnica por continuar nesta sua relação de profundo engajamento em questões de actualidade que tem trazido à universidade várias vezes”, disse.

Intervindo também na cerimónia, João Honwana, que apadrinhou o Doutoramento Honoris Causa de Carlos Lopes, descreveu o homenageado como um dos pesquisadores africanos mais activos na área de desenvolvimento e planeamento estratégico.

“O reconhecimento generalizado do valor do seu vasto trabalho de pesquisa sobre a governação em África e o papel do conhecimento e da inovação no seu desenvolvimento firmam Carlos Lopes como incontestável campeão de um pan-africanismo contemporâneo”, referiu João Honwana.

Nascido na Guiné-Bissau, em 1960, Carlos Lopes é, actualmente, docente universitário na Universidade de Cape Town, na África do Sul, e Professor visitante na Universidade de Oxford, no Reino Unido.

 

Carlos Lopes doutor Honoris Causa em Estudos de Desenvolvimento

Carlos Lopes Doutor Honoris Causa em Estudos de Desenvolvimento

 

João Honwana padrinho

João Honwana