O ministro dos Transportes e Comunicações, Carlos Mesquita defende a implementação de medidas concretas para a migração célere da carga rodoviária para o sistema ferroviário, com vista à mitigação dos impactos causados pelo tráfego de camiões na Estrada Nacional Número Quatro (EN4), nomeadamente o congestionamento, a degradação da via, a insegurança rodoviária, agravamento dos custos operacionais para o transporte de mercadorias e de passageiros, problemas ambientais, entre outros.


Dentre as medidas apontadas, constam a criação de um porto seco para funcionar como zona tampão para melhor gestão do tráfego, o alargamento do horário de funcionamento da fronteira de Ressano Garcia e do “Quilómetro Quatro”, bem como a prossecução da melhoria da capacidade de manuseamento de carga ferroviária no Porto de Maputo.


“Esta é a melhor saída para a redução do tráfego de camiões na EN4. A carga de natureza ferroviária, particularmente a de minérios a granel, deve ser transportada nas ferrovias, maximizando as vantagens naturais que este tipo de transporte oferece”, defendeu Carlos Mesquita, que falava quinta-feira, 8 de Março, na abertura do Fórum de Discussão sobre Sinistralidade e Congestionamentos na EN4, organizado pela Companhia de Desenvolvimento do Porto de Maputo (MPDC).


Para o ministro, a subida do número de camiões que demandam o Porto de Maputo deve ser analisada, tendo em conta o crescimento registado no manuseamento portuário que se situou em 36% para a carga rodoviária e uma subida exponencial da carga ferroviária que escalou o porto, na ordem de 134%.


“A tendência da migração da carga rodoviária para o sistema ferroviário tem estado a consolidar-se. Em 2016, 18% da carga manuseada no Porto de Maputo era ferroviária, tendo esta cifra aumentado para 26% em 2017”, disse Carlos Mesquita.


De acordo com o ministro dos Transportes e Comunicações, o congestionamento, em particular na EN4, resulta da maior pressão exercida pelo crescimento do tráfego rodoviário de mercadorias, em detrimento dos modos tradicionais de transporte, nomeadamente o marítimo e ferroviário.


Por exemplo, em 2017, 52% da carga foi transportada por via ferroviária, 36% por via rodoviária e menos de 1% por via marítima, “uma realidade que precisamos de reverter, se considerarmos os elevados custos e demais consequências negativas do tráfego rodoviário de mercadorias”.


No caso específico da EN4, que atravessa a cidade da Matola e desagua na cidade de Maputo, a situação torna-se preocupante, tendo em conta que estas duas urbes albergam cerca de 80% de um total de cerca de 740 mil veículos matriculados em Moçambique.

 

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Carlos Mesquita ministro dos Tranportes e Comunicações

 

Parte dos participantes do Forum sobre sinistralidade e congestionamento na N4

Parte dos participantes do Forum sobre sinistralidade e congestionamento na N4

 

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Parte dos participantes do Forum sobre sinistralidade e congestionamento na N4 

 

Parte dos participantes do Forum sobre sinistralidade e congestionamento na N4 4

Parte dos participantes do Forum sobre sinistralidade e congestionamento na N4