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03/04/2026
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Aula inaugural da Universidade Politécnica: Académico defende que Moçambique deve adoptar medidas preventivas para salvaguardar a sua soberania
Certificado de mérito ao orador (1)

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O académico Joaquim Marcos Manjate considera que Moçambique deve tomar medidas preventivas para a salvaguarda da sua soberania, tendo em conta a sua localização estratégica no Oceano Índico, que o posiciona como um espaço de elevado interesse global e potencialmente susceptível a pressões externas.

A posição foi apresentada quinta-feira, 2 de Abril, durante a aula inaugural do Ano Lectivo 2026 da Universidade Politécnica, realizada no Campus de Maputo, que marcou formalmente o início das actividades académicas e proporcionou uma reflexão subordinada ao tema “Novo Conceito de Segurança das Nações Unidas: Impacto Global  e Nacional”.

Segundo o orador, o País dispõe de recursos, espaço e população que o colocam no centro de dinâmicas económicas e geopolíticas relevantes, destacando que uma parte significativa das rotas internacionais, incluindo a do petróleo, atravessa o Canal de Moçambique.

Neste contexto, alertou que a ausência de medidas preventivas pode favorecer a actuação de redes organizadas, ligadas ao tráfico e a outras actividades ilegais.

“Podemos perder o espaço, como estamos a perder em Cabo Delgado, mas também podemos recuperá-lo. A verdade dos países reside na sua localização, nos seus recursos e na capacidade do seu aproveitamento e da sua protecção. Temos pessoas a assassinar cristãos em nome do Islão. Isso é uma bandeira do Estado Islâmico. Moçambique não tem problemas de conflito entre muçulmanos”, sublinhou Joaquim Marcos Manjate.

Ainda sobre a situação de Cabo Delgado, Joaquim Marcos Manjate acrescentou que “os que criam este problema têm muitos nomes, uns chamam de insurgentes, outros de jihadistas, outros de terroristas e outros ainda de inimigos sem rosto. Na verdade, eles gostam desses nomes porque estão a descobrir que não conhecíamos ou não sabíamos nada deles”.

Num outro desenvolvimento, defendeu que o posicionamento geográfico de Moçambique, aliado ao seu potencial económico, poderá influenciar o futuro da África Austral, sendo essencial a adopção de uma postura estratégica, preventiva e orientada para a defesa dos interesses nacionais.

“Para os que viajam para a África do Sul, conseguem ver mais de 20 ou 30 quilómetros de coluna de camiões com carvão a virem para o Porto de Maputo. Nós somos uma potência emergente e temos de nos comportar como tal”, disse o orador, que se referiu, também, à necessidade do reforço da capacidade nacional de exploração e protecção dos recursos, evitando assim a perda de controlo sobre o território e o potencial estratégico.

Por seu turno, a representante do Reitor da Universidade Politécnica, Rita Mbebe, realçou a importância do tema abordado pelo orador, que, na sua opinião,  “é transversal e que nos enriquece enquanto cidadãos de um mundo a cada dia mais exigente e mais global”.

Joaquim Marcos Manjate é consultor internacional nas áreas de estratégia, negociação, liderança e segurança marítima, sendo igualmente professor visitante na Commonwealth Open University, em Inglaterra.

Possui formação militar e académica diversificada, incluindo cursos frequentados em Cuba e na Rússia, licenciatura em Relações Internacionais e Diplomacia, mestrado em Gestão e Negociação, incluindo doutoramento em Gestão e Liderança. Detém, ainda, um pós-doutoramento em Negociação de Conflitos, Paz e Guerra.

Ao longo da sua carreira, desempenhou funções de destaque, incluindo vice-reitor académico, docente e investigador no Instituto Superior de Estudos de Defesa, bem como chefe da Inteligência nas Forças Armadas de Defesa de Moçambique, tendo alcançado a patente de brigadeiro-general na reserva.

 

Joaquim Manjate, orador (2)

Joaquim Manjate, orador

Rita Mbebe, representante do magnífico reitor

Rita Mbebe, representante do magnífico reitor

 

 

 

 

 

 

 

 

Foto de família (2)

Foto de família

Participantes (2) (1)

Participantes