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20/05/2026Standard Bank apresenta quinta edição do Barómetro do Comércio Africano e destaca potencial de Moçambique no comércio intra-africano

O Standard Bank apresentou, quarta-feira, 20 de Maio, em Maputo, a quinta edição do Barómetro do Comércio Africano, um estudo analítico e comparativo que avalia o ambiente de comércio em África, com enfoque especial nos factores que influenciam o comércio intra-africano e a competitividade das economias do continente.
O estudo abrange dez países africanos, nomeadamente Angola, Gana, Quénia, Moçambique, Namíbia, Nigéria, África do Sul, Tanzânia, Uganda e Zâmbia, e combina dados primários recolhidos junto de 2.258 empresas e 30 entrevistas aprofundadas com informações secundárias fornecidas por instituições como o Banco Mundial, Fundo Monetário Internacional e bancos centrais, resultando num índice comparativo de 0 a 100 sobre a facilidade e atractividade do comércio em cada país.
Na ocasião, a directora da Banca Comercial e de Negócios do Standard Bank, Márcia Karim, explicou que, através do Barómetro do Comércio Africano, o Banco pretende colmatar a escassez de informação fiável e actualizada sobre o comércio no continente africano, com destaque para Moçambique.
“África precisa de conhecer melhor África para poder comercializar melhor consigo mesma. Durante muito tempo, falámos do potencial do continente com entusiasmo, mas nem sempre com dados suficientes, comparáveis e actualizados. Este estudo procura responder a essa lacuna, oferecendo informação útil para governos, empresas, investidores e decisores”, afirmou Márcia Karim.
Segundo a responsável, Moçambique ocupa um lugar estratégico neste contexto, devido à sua posição geográfica, aos corredores logísticos, aos portos e à ligação privilegiada entre o hinterland africano, o oceano Índico e os mercados internacionais, devendo posicionar-se como um actor activo da integração regional, num contexto em que a Área de Comércio Livre Continental Africana (AfCFTA) assume crescente relevância.
“O potencial, por si só, não basta. É preciso enfrentar desafios concretos, tais como melhorar a eficiência aduaneira, reduzir custos logísticos, reforçar o sector de infra-estruturas, facilitar o acesso ao financiamento e criar um ambiente regulatório mais previsível. Estes são precisamente alguns dos factores analisados pelo relatório”, considerou.
O relatório indica que Moçambique melhorou a sua posição no ranking geral do barómetro, passando da terceira para a primeira posição entre os dez países analisados, impulsionado sobretudo pelo desempenho nos indicadores quantitativos relacionados com abertura comercial, estabilidade cambial e comércio externo. Contudo, o País manteve-se na nona posição no índice baseado na percepção das empresas inquiridas, reflectindo desafios persistentes ao nível do acesso ao financiamento, apoio governamental ao comércio e liquidez em moeda estrangeira.
O estudo destaca, igualmente, a estabilidade do metical face ao dólar norte-americano ao longo dos últimos três anos, com uma média de 63,9 meticais por dólar norte-americano, factor que contribuiu positivamente para o posicionamento de Moçambique no índice quantitativo.
No entanto, o relatório alerta que esta estabilidade foi sustentada por algumas medidas do Banco de Moçambique, incluindo o aumento das reservas obrigatórias em moeda estrangeira e a obrigação de conversão de 50% das receitas de exportação para moeda local.
Segundo o relatório, o crescimento económico de Moçambique desacelerou para 0,7% em 2025, face aos 2,1% registados em 2024, apesar do forte aumento do Investimento Directo Estrangeiro, estimado em 6,4 mil milhões de dólares, estando grande parte concentrada em megaprojectos de gás natural liquefeito, cujos efeitos na economia local permanecem limitados devido à reduzida integração com as cadeias de valor nacionais.
Ainda assim, prevê-se uma recuperação gradual da actividade económica, com o crescimento do PIB a atingir 1,1% em 2026, apoiado pela retoma dos investimentos em gás natural, expansão das infra-estruturas logísticas e reforço da integração regional no âmbito da AfCFTA.
O barómetro conclui, também, que o comércio intra-africano continua a ganhar dinamismo, com um aumento da orientação das empresas para mercados africanos e asiáticos, motivado pelo menor custo das importações, maior diversidade de produtos e maior rapidez de resposta. A consciência sobre a AfCFTA aumentou de 45% para 52% entre as empresas inquiridas, após o lançamento oficial da participação de Moçambique no acordo.
O estudo foi apresentado pelo responsável pela Inteligência de Mercado no segmento de Banca Comercial e de Negócios do Grupo Standard Bank, Kudzai Guvi, para quem os resultados da quinta edição do Barómetro do Comércio Africano revelam sinais mistos, mas encorajadores, quanto à evolução do comércio intra-africano.
“As empresas africanas estão cada vez mais orientadas para os mercados do continente, impulsionadas pela crescente adopção de soluções financeiras digitais, pelo reforço da integração regional e pela procura de cadeias de abastecimento mais resilientes”, sublinhou.
Por isso, para Márcia Karim, o relatório afigura-se como uma ferramenta prática de apoio à decisão e à formulação de políticas públicas. “A grande importância deste barómetro está no facto de transformar percepções em evidência. Para reformar, é preciso medir. Para decidir bem, é preciso comparar, e, para melhorar, é preciso saber onde estamos e para onde queremos ir”.

Kudzai Guvi, responsável pela Inteligência de Mercado no segmento de Banca Comercial e de Negócios do Grupo Standard Bank

Márcia Karim, directora da Banca Comercial e de Negócios do Standard Bank

Participantes



